Os 25 termos, em ordem alfabética
As definições são resumos para gestão. As referências técnicas de cada termo estão na seção de fontes.
- Agente de IA
- Software que interpreta um pedido, planeja os passos e executa ações em nome do usuário, como consultar sistemas ou preencher formulários. Num AVA, um agente pode montar uma atividade a partir do plano de ensino, o que exige definir o que ele pode fazer sem aprovação humana.
- Alucinação (ou confabulação)
- Resposta plausível e dada com confiança, porém falsa ou inventada. O NIST prefere o termo confabulação. Um assistente pode citar um artigo científico que não existe numa bibliografia de TCC.
- Ancoragem (grounding)
- Fazer o modelo responder com base em fontes definidas, como o material da disciplina, em vez de só no que aprendeu no treinamento. Reduz invenções e permite indicar de onde veio a resposta.
- Avaliação autêntica
- Avaliação que pede ao estudante aplicar o conhecimento em tarefas parecidas com as da profissão, como estudo de caso, projeto ou defesa oral, mostrando o processo além da resposta final. Ganha espaço quando a IA responde bem a questões de recuperação de fatos.
- Detector de IA
- Software que estima a probabilidade de um texto ter sido gerado por IA. Produz falsos positivos e não prova autoria: num estudo de pesquisadores de Stanford, sete detectores disponíveis em 2023 marcaram como IA, em média, 61,22% de 91 redações do TOEFL escritas por candidatos chineses (Liang e coautores, 2023).
- Embeddings
- Representação de um texto como uma lista de números que captura seu significado. Textos parecidos ficam com números próximos, o que permite a um sistema achar no acervo da biblioteca um trecho sobre o tema mesmo quando as palavras são outras.
- Fine-tuning (ajuste fino)
- Segundo treinamento, mais curto, de um modelo já pronto, para especializá-lo numa tarefa ou num estilo. Diferente da ancoragem, altera o próprio modelo.
- IA explicável
- Capacidade de mostrar como o sistema chegou a uma saída (explicabilidade) e de entender o que essa saída significa para o propósito do sistema (interpretabilidade). Necessária para auditar uma decisão acadêmica apoiada por IA, como um alerta de risco de evasão.
- IA generativa
- IA que cria conteúdo novo, como texto, imagem, áudio ou vídeo, a partir de um pedido, em vez de apenas classificar ou prever. Gera questões, resumos, planos de aula e respostas a exercícios.
- Janela de contexto
- Quantidade de texto, medida em tokens, que o modelo considera de uma vez: pergunta, histórico da conversa, documentos anexados e também a resposta gerada. Define, por exemplo, se um livro inteiro da disciplina cabe numa única consulta.
- Learning analytics (análise de aprendizagem)
- Coleta, análise, interpretação e comunicação de dados sobre os estudantes e sua aprendizagem para gerar informação que melhore o ensino. Inclui painéis de acesso ao AVA e de entrega de atividades usados para acompanhar permanência.
- Letramento em IA
- Conhecimentos, habilidades e valores para usar IA de forma crítica, ética e eficaz. A UNESCO organiza o letramento dos estudantes em quatro competências: mentalidade centrada no humano, ética da IA, técnicas e aplicações e desenho de sistemas.
- LGPD aplicada à IA
- Três conceitos da Lei 13.709/2018 (art. 5º) organizam um contrato de IA. Dado pessoal: informação sobre pessoa identificada ou identificável. Controlador: quem decide sobre o tratamento, em geral a instituição. Operador: quem trata os dados em nome do controlador, em geral o fornecedor de IA ou de AVA.
- LLM (grande modelo de linguagem)
- Modelo de linguagem com enorme número de parâmetros, treinado em grandes volumes de texto. Move ferramentas como ChatGPT, Gemini e Claude.
- Modelo de fundação
- Modelo muito grande, pré-treinado em dados amplos e variados, que atende muitos tipos de pedido e pode ser adaptado depois. Muitas ferramentas educacionais com IA rodam sobre um modelo de fundação de terceiros.
- Multimodal
- Modelo que entende ou gera mais de um tipo de dado, como texto, imagem e áudio. Lê a foto de uma questão de prova ou o gráfico de um enunciado, o que enfraquece a ideia de que questões com imagem barram a IA.
- Política de uso de IA
- Documento institucional que define quem pode usar IA, para quê, com quais ferramentas e dados, como declarar o uso e o que é infração, de preferência com regra por tipo de atividade. O guia de política de uso de IA traz modelos de cláusula.
- Proctoring (supervisão de provas)
- Monitoramento do estudante durante a prova, presencial ou remoto, por câmera, tela ou comportamento, às vezes automatizado por IA. Na União Europeia, o monitoramento por IA de comportamento proibido em provas é classificado como alto risco pelo AI Act.
- Prompt
- A instrução ou pergunta dada ao modelo. Pode incluir exemplos, contexto ou o formato da resposta esperada. Num tutor de IA, o prompt escrito pelo professor define se a ferramenta entrega a resposta ou conduz o estudante até ela.
- RAG (geração aumentada por recuperação)
- Técnica em que o sistema primeiro busca trechos relevantes num acervo e depois gera a resposta com base neles. Assim um assistente responde com o material da disciplina. A técnica reduz invenções sem eliminá-las. A instituição pode perguntar ao fornecedor quais documentos entram no acervo.
- Sistema de alto risco
- Uso de IA que pode afetar direitos ou trajetórias e por isso exige mais salvaguardas, como documentação e supervisão humana. Na União Europeia, o AI Act inclui admissão, avaliação de resultados de aprendizagem, definição do nível de ensino e monitoramento de provas. No Brasil, o Conselho Pleno do CNE aprovou o Parecer CNE/CP 15/2026 na reunião de 31 de agosto a 3 de setembro de 2026, com súmula publicada no DOU de 6 de outubro de 2026. A versão levada a consulta pública em maio de 2026 classificava usos em baixo, moderado, alto e excessivo. Até 25 de outubro de 2026 não localizamos a homologação pelo MEC, condição para o parecer produzir efeito.
- Token
- Menor unidade de texto que o modelo processa: uma palavra, parte de palavra ou caractere. Limites de uso e preços de uso via API costumam ser contados em tokens, o que pesa no orçamento de um contrato por volume.
- Treinamento de modelo
- Processo em que o modelo aprende padrões a partir de grandes conjuntos de dados. A pergunta-chave no contrato é se dados de estudantes e docentes podem treinar o modelo do fornecedor; o acordo entre a ABMES e o Google for Education, de janeiro de 2026, prevê que os dados não treinem os modelos globais da empresa.
- Tutor de IA
- Assistente de estudo configurado para conduzir o estudante até a resposta, com perguntas, pistas e feedback, em vez de entregá-la pronta. Num ensaio em Harvard, nos EUA, um tutor com instruções escritas pelos professores teve ganhos de aprendizagem acima do dobro dos da aula de aprendizagem ativa (Kestin e coautores, 2025).
- Viés algorítmico
- Erro sistemático que prejudica ou favorece grupos, vindo dos dados, do algoritmo ou de quem usa o sistema, mesmo sem intenção. O NIST distingue três tipos: sistêmico, computacional-estatístico e humano-cognitivo. Os detectores de IA que marcam mais textos de não nativos são um exemplo.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre IA generativa e LLM?
IA generativa é a categoria de sistemas que criam conteúdo novo. O LLM é o tipo de modelo, treinado em grandes volumes de texto, que move as ferramentas de texto dessa categoria, como ChatGPT, Gemini e Claude.
O que é alucinação de IA?
Uma resposta plausível e confiante, porém falsa. Num estudo de 2024 nos EUA, modelos de 2023 inventaram informação entre 69% e 88% das vezes sobre casos de tribunais federais. O NIST prefere o termo confabulação.
O que é RAG e por que importa para a instituição?
RAG é a técnica em que o sistema busca trechos num acervo antes de responder. Permite que um assistente use o material da disciplina e indique a fonte. Daí a pergunta sobre quais documentos o fornecedor coloca no acervo.
Quem é controlador e quem é operador numa ferramenta de IA?
Pela LGPD (Lei 13.709/2018, art. 5º), o controlador decide sobre o tratamento dos dados, papel que em geral cabe à instituição. O operador trata os dados em nome dele, papel que em geral cabe ao fornecedor.
O que a lei europeia considera uso de alto risco na educação?
O anexo III do AI Act lista como alto risco os sistemas de IA usados para admissão, avaliação de resultados de aprendizagem, definição do nível de ensino e monitoramento de comportamento proibido durante provas.
Fontes e escopo
Referências técnicas: Google, Machine Learning Glossary, termos de IA generativa (IA generativa, LLM, prompt, janela de contexto, fine-tuning, modelo de fundação, agente de IA) e glossário geral (token); NIST, AI 600-1, Generative AI Profile, julho de 2024 (alucinação ou confabulação); NIST, AI Risk Management Framework 1.0, janeiro de 2023 (viés algorítmico, IA explicável); Microsoft Learn, RAG and generative AI (RAG, ancoragem) e Understand embeddings; SoLAR, What is learning analytics; UNESCO, AI competency frameworks for students and teachers, 2024, conforme a comissão nacional da UNESCO na Nova Zelândia (letramento em IA); AI Act, anexo III, ponto 3 (proctoring, sistema de alto risco); Lei 13.709/2018, art. 5º, incisos I, VI e VII, conforme a transcrição comentada da Confidata (LGPD aplicada); ABMES, artigo de 29/05/2026 sobre a versão do Parecer CNE/CP 15/2026 em consulta pública e súmula do parecer, publicada no DOU de 06/10/2026, que registra a aprovação na reunião de 31/08 a 03/09/2026; ABMES, comunicado de 23/01/2026 (treinamento de modelo). Exemplos citados: Liang e coautores, 2023 (Stanford; redações de candidatos chineses ao TOEFL); Kestin e coautores, Scientific Reports, 2025 (EUA); Stanford Law School, Hallucinating Law, 2024 (EUA). Multimodal, tutor de IA, avaliação autêntica, política de uso de IA, treinamento de modelo e detector de IA têm definição da Studenta, assim como a primeira frase de letramento em IA; as quatro competências desse termo vêm da UNESCO. Todas as fontes foram consultadas em 25 de outubro de 2026.