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ERROS COMUNS / AVALIAÇÃO E IA

6 erros de IES ao adaptar a avaliação
ao mundo com IA.

As armadilhas mais frequentes quando uma instituição muda provas e trabalhos por causa da IA generativa: por que cada uma acontece, o que a evidência mostra e o que a coordenação pode fazer no lugar.

A resposta curta

O erro que mais expõe a nota à IA é manter questões objetivas online, sem supervisão, com peso alto na nota: num estudo de 2023, o GPT-4 acertou 87% das questões sem imagem do ENEM 2022. No EAD, o Decreto 12.456/2025 dá até maio de 2027 para a adequação à avaliação presencial com peso majoritário na nota, com pelo menos um terço do peso da avaliação presencial em elementos discursivos (art. 23). Os outros cinco erros são usar detector como prova, proibir sem regra por atividade, mudar a regra sem avisar o aluno, não formar os docentes e aplicar a mesma solução a todos os cursos.

Os seis erros

Os números de fora do Brasil aparecem com o país e servem como referência. Nenhuma das correções propostas foi testada em instituições brasileiras: elas resultam da leitura das fontes citadas.

  1. Usar detector de IA como prova de fraude #

    Por que acontece: o detector promete uma resposta rápida e com número para a pergunta “foi IA?”, num momento em que a coordenação recebe muitas suspeitas ao mesmo tempo.

    Num estudo de pesquisadores de Stanford, sete detectores disponíveis em 2023 marcaram como IA, em média, 61,22% de 91 redações do TOEFL escritas por candidatos chineses. O detector do Turnitin não estava entre os testados. A Vanderbilt University desligou o detector do Turnitin em 2023 depois de calcular que 1% de falso positivo sobre 75.000 trabalhos daria cerca de 750 trabalhos marcados por engano. No Reino Unido, a University of Dundee cita a posição do Jisc de que nenhum software prova de forma conclusiva que um texto foi escrito por IA.

    O que fazer: usar o resultado do detector, no máximo, para abrir uma conversa com o estudante sobre o processo de produção do trabalho. O desenho da avaliação deve tornar a pergunta “foi IA?” menos decisiva: etapas entregues ao longo do semestre, defesa oral curta ou produção em sala.

    Liang e coautores, 2023 (Stanford; redações de candidatos chineses ao TOEFL); Vanderbilt University, 16/08/2023 (EUA); University of Dundee, guia de IA no ensino e na avaliação, atualizado em 16/09/2026 (Reino Unido), que cita o Jisc.

  2. Proibir de forma genérica, sem regra por atividade #

    Por que acontece: uma frase única no regimento é rápida de aprovar e parece encerrar o assunto.

    No Brasil, 42% dos graduandos não conhecem nenhuma orientação institucional sobre uso de IA. Só 15% conhecem com clareza as diretrizes da universidade, segundo o estudo da Pearson e da AWS reportado pelo TI Inside. Numa pesquisa com docentes de 28 países, só 4% disseram conhecer plenamente as diretrizes de IA da instituição e considerá-las completas (Digital Education Council, 2025).

    O que fazer: definir, para cada tipo de atividade, se a IA é proibida, permitida com declaração ou parte da tarefa, com exemplos. O guia de política de uso de IA traz níveis de uso e modelos de cláusula para provas no AVA, trabalhos e TCC.

    Pearson e AWS, conforme TI Inside, 08/09/2026 (Brasil; data de coleta não informada); Digital Education Council, Global AI Faculty Survey 2025 (28 países).

  3. Manter prova objetiva online, sem supervisão, com peso alto na nota #

    Por que acontece: a questão objetiva no ambiente virtual corrige sozinha, escala para turmas grandes e já está montada no banco de questões.

    No Brasil, o GPT-4 acertou 87% das questões sem imagem do ENEM 2022 num estudo de 2023. No Radar de IA no Ensino Superior 2026, 80,5% das solicitações classificáveis da amostra, feitas a um assistente de estudo, pediam a resposta de uma questão objetiva. Dos enunciados longos da amostra enviados por mais de um estudante, 54,7% vieram de duas ou mais instituições. A amostra do Radar se concentra em grandes redes privadas e não representa os universitários do país. No EAD, o Decreto 12.456/2025 obriga avaliações presenciais em toda unidade curricular ofertada total ou parcialmente a distância, com peso majoritário na nota final e elementos discursivos de análise e síntese com pelo menos um terço do peso da avaliação presencial (art. 23). O § 2º do art. 23 permite dispensar os elementos discursivos nas avaliações feitas por atividades práticas. O art. 41 dá dois anos a partir da publicação, em 20 de maio de 2025, para a adequação: o prazo vai até maio de 2027.

    O que fazer: reduzir o peso das objetivas sem supervisão, usá-las como prática com feedback e levar o que certifica para avaliações supervisionadas. O artigo sobre avaliação e questões objetivas detalha as opções de desenho.

    Nunes e coautores, arXiv, 2023 (Brasil); Radar de IA no Ensino Superior 2026; Decreto 12.456, de 19 de maio de 2025, arts. 23 e 41 (DOU de 20/05/2025).

  4. Mudar as regras sem avisar o aluno #

    Por que acontece: a decisão circula entre coordenação e docentes e chega ao estudante só no dia da prova ou na correção.

    Nos seis mercados da pesquisa da Pearson e da AWS, que incluem o Brasil, cerca de 30% dos estudantes não se sentem confortáveis em contar aos professores que usam IA. Só 17% acham que a universidade acompanha a maior parte dos avanços da tecnologia, contra 38% entre os líderes do ensino superior ouvidos no mesmo estudo. No Reino Unido, 37% dos graduandos concordam que a instituição incentiva o uso de IA; 36% discordam.

    O que fazer: publicar a regra no plano de ensino e repeti-la no enunciado de cada atividade, com exemplos do que é permitido e de como declarar o uso.

    Pearson e AWS, conforme TI Inside, 08/09/2026 (seis mercados, entre eles o Brasil); HEPI e Kortext, Student Generative AI Survey 2026, relatório HEPI 199 (Reino Unido).

  5. Mudar a avaliação sem formar os docentes #

    Por que acontece: a mudança é tratada como ajuste de regulamento, sem horas de formação previstas no calendário.

    Nos seis mercados da pesquisa da Pearson e da AWS, que incluem o Brasil, só 13% dos gestores acadêmicos classificam como “muito forte” o conhecimento dos professores sobre IA, segundo a reportagem do InfoMoney. Nos EUA, 51% dos pró-reitores acadêmicos citam habilidades e capacidade de equipe limitadas como barreira ao impacto da IA na instituição (Inside Higher Ed e Hanover, 2026). A UNESCO publicou em 2024 um referencial de competências em IA para docentes com cinco dimensões, da ética da IA à pedagogia com IA.

    O que fazer: incluir no plano de formação docente oficinas práticas de redesenho de avaliação, por curso, antes que a nova regra entre em vigor.

    Pearson e AWS, conforme InfoMoney, 13/05/2026 (seis mercados, entre eles o Brasil); Inside Higher Ed e Hanover, 2026 Survey of College and University Chief Academic Officers, 23/09/2026 (EUA); UNESCO, AI competency framework for teachers, 2024, conforme a comissão nacional da UNESCO na Nova Zelândia.

  6. Tratar todos os cursos e disciplinas da mesma forma #

    Por que acontece: uma solução institucional única parece mais justa e mais fácil de fiscalizar.

    No Reino Unido, a orientação do QAA de 31 de julho de 2023 sobre avaliação na era do ChatGPT parte do nível do programa, com pontos fortes e fracos de cada formato e perguntas para os colegiados. Numa pesquisa com docentes de 28 países, 54% acham que os métodos atuais de avaliação deixaram de ser adequados (Digital Education Council, 2025). Nos EUA, 47% dos docentes já redesenharam avaliações em resposta à IA, segundo comunicado da Tyton Partners de 15 de junho de 2026.

    O que fazer: levar a decisão ao colegiado ou ao NDE de cada curso, com uma pergunta comum: que avaliações certificam a competência central do curso e quais delas a IA responde sozinha?

    QAA, Reconsidering assessment for the ChatGPT era, 31/07/2023 (Reino Unido); Digital Education Council, Global AI Faculty Survey 2025 (28 países); Tyton Partners, Time for Class 2026, comunicado republicado em 15/06/2026 (EUA).

Perguntas frequentes

Qual erro deixa a avaliação mais exposta à IA?

Manter a questão objetiva online, sem supervisão, com peso alto. Num estudo de 2023, o GPT-4 acertou 87% das questões sem imagem do ENEM 2022. No Radar de IA no Ensino Superior 2026, a resposta de questão objetiva foi 80,5% das solicitações classificáveis da amostra, feitas a um assistente de estudo.

O que o Decreto 12.456/2025 exige da avaliação no EAD?

Avaliações presenciais periódicas em toda unidade curricular a distância, com peso majoritário na nota final e pelo menos um terço do peso da avaliação presencial em elementos discursivos de análise e síntese (art. 23). Avaliações feitas por atividades práticas podem dispensar os elementos discursivos (art. 23, § 2º). O art. 41 dá dois anos a partir da publicação, em 20 de maio de 2025, para a adequação, até maio de 2027.

Posso reprovar um aluno com base num detector de IA?

Não com base só nele. Um estudo de 2023 encontrou falso positivo médio de 61,22% em redações do TOEFL escritas por candidatos chineses. Use o resultado como ponto de partida para uma conversa com o estudante.

Como comunicar a nova regra de uso de IA aos estudantes?

No plano de ensino e no enunciado de cada atividade, com exemplos do que é permitido e de como declarar o uso. No Brasil, 42% dos graduandos ouvidos pela Pearson e pela AWS não conhecem nenhuma orientação institucional sobre IA.

Quem decide a regra de cada curso?

A política institucional define os níveis de uso; o colegiado ou o NDE aplica esses níveis às avaliações do curso. A orientação do QAA, no Reino Unido, recomenda tratar a avaliação no nível do programa.

Fontes e escopo

Detectores: Liang e coautores, GPT detectors are biased against non-native English writers, 2023 (Stanford; redações de candidatos chineses ao TOEFL); Vanderbilt University, 16/08/2023 (EUA); University of Dundee, guia que cita a posição do Jisc de 2023 (Reino Unido). Estudantes e docentes no Brasil: TI Inside, 08/09/2026 e InfoMoney, 13/05/2026, que reportam o estudo da Pearson e da AWS em seis mercados, entre eles o Brasil (relatório original não localizado). Reino Unido: HEPI e Kortext, Student Generative AI Survey 2026, relatório HEPI 199; QAA, 31/07/2023. Docentes em 28 países: Digital Education Council, Global AI Faculty Survey 2025. EUA: Inside Higher Ed e Hanover, 23/09/2026; comunicado da Tyton Partners, 15/06/2026. Formação docente: UNESCO, referenciais de competências em IA. Desempenho do GPT-4: Nunes e coautores, arXiv, 2023. Regulação: Decreto 12.456, de 19 de maio de 2025, arts. 23, 24 e 41 (cópia do DOU publicada pela ANEC). Dado próprio: Radar de IA no Ensino Superior 2026, amostra que não representa os universitários do país. Todas as fontes foram consultadas em 25 de outubro de 2026. As correções propostas são leitura da Studenta sobre esses dados.

PRÓXIMA LEITURA / POLÍTICA DE IA

A regra de cada atividade,
por escrito.

O guia de política de uso de IA traz níveis de uso, modelos de cláusula para provas no AVA, trabalhos e TCC e um ciclo de revisão semestral.

Como citar

STUDENTA. 6 erros de IES ao adaptar a avaliação ao mundo com IA. Atualizado em 27 de outubro de 2026. Disponível em: https://studenta.com/estudos/erros-avaliacao-ia.