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ARTIGO / AVALIAÇÃO E IA

Avaliação na era da IA:
o que muda nas questões objetivas.

O que os registros de uso de um assistente de estudo mostram sobre questões de múltipla escolha no ensino superior, e quais decisões de desenho de avaliação eles colocam para coordenação e docentes.

A ideia em um minuto

No Radar de IA no Ensino Superior, a resposta de uma questão objetiva é o pedido mais comum a um assistente de IA, em todas as áreas de curso, e parte dos enunciados circula entre instituições. Em avaliações objetivas assíncronas e sem supervisão, a nota pode passar a medir, em parte, o acesso a uma ferramenta. As respostas possíveis estão no desenho da avaliação: peso na nota, contexto do enunciado, renovação do banco e uso formativo.

A questão objetiva é o principal pedido ao assistente

O Radar classifica a intenção de cada solicitação enviada ao PasseIA, assistente de estudo da Passei Direto. Entre 29 de agosto e 30 de setembro de 2026, período em que o classificador rotulou todo o tráfego, 29.775 solicitações de estudantes de graduação e pós puderam ser classificadas.

Intenção das solicitações classificáveis, 29/08 a 30/09/2026
Intenção% das classificáveisSolicitações
Resolver questão objetiva (de múltipla escolha)80,5%23.981
Entender um conceito7,1%2.109
Resolver questão aberta (dissertativa ou de cálculo)5,5%1.632
Praticar com novas questões2,9%854
Produzir ou revisar texto2,5%757
Resumir, planejar estudo ou buscar fontes1,5%442
Dado observado · Radar, capítulo 01
  • Em todas as áreas. A proporção vai de 78,2% (Agrárias e veterinária) a 85,5% (Educação e licenciaturas). Engenharias e produção: 79,5%; Saúde: 78,5%; Negócios, gestão e direito: 78,4%. Graduação e pós têm o mesmo perfil: 80,5% e 80,8%.
  • Fora do atalho. Parte dos estudantes chega ao assistente por um botão ao lado de uma questão na Passei Direto. Excluindo essas entradas, a resolução de questão objetiva ainda é 76,5% de 18.358 solicitações classificáveis.
  • No texto. 31,6% de todas as solicitações de ago–set trazem alternativas no formato a), b), c), e 41,4% dos estudantes enviaram ao menos uma assim.

Limites: a intenção é inferida pelo texto; o classificador não sabe se a questão vale nota, se é de prova, lista de exercícios ou simulado. 18,9% das solicitações do período não receberam rótulo e ficam fora do denominador. Computação e TI e Agrárias têm bases menores (menos de 1.000 solicitações).

O que se repete entre áreas tão diferentes não é o conteúdo do curso; é o formato da tarefa que o estudante tem nas mãos.

As mesmas questões aparecem em instituições diferentes

O Radar comparou os primeiros 300 caracteres de cada solicitação com 200 caracteres ou mais, depois de padronizar maiúsculas, pontuação e espaços. Um enunciado igual enviado por estudantes diferentes indica a mesma questão.

Dado observado · Radar, capítulo 02
  • 13,3% das 48.001 solicitações longas trazem um enunciado que pelo menos outro estudante também enviou.
  • 2.175 enunciados distintos foram enviados por dois ou mais estudantes.
  • 54,7% desses enunciados (1.189) vieram de estudantes de duas ou mais instituições. É um piso: quem não informou a instituição não conta como “outra”.

Limite: a comparação exige texto idêntico no início do enunciado. Versões com uma palavra trocada ou enviadas como imagem ou PDF não entram; o número real de repetições tende a ser maior.

Hipótese do Radar, não testada: uma questão idêntica em instituições diferentes sugere material didático ou banco de questões compartilhado, como livros e trilhas de editoras, conteúdo licenciado ou provas reaproveitadas. O dado mostra o que circula, não de onde veio.

O que isso significa para a avaliação

Vale separar o que foi medido do que é contexto e do que é inferência.

O que muda no desenho das questões objetivas

As opções abaixo são editoriais e não foram testadas pelo Radar. A escolha depende do objetivo de cada avaliação: certificar o que o estudante sabe ou ajudá-lo a estudar.

Decisões de desenho para avaliações objetivas
DecisãoO que fazerQuando faz sentido
Peso na notaReduzir a parte da nota que vem de objetivas sem supervisão e deslocá-la para avaliações supervisionadas, presenciais ou síncronas.Disciplinas em que a objetiva online é a maior parte da nota.
Uso formativoUsar as objetivas do AVA como prática com feedback imediato e peso baixo. A explicação, inclusive a de um assistente, passa a fazer parte do estudo.Revisão de conteúdo e preparação para uma prova supervisionada.
Contexto próprioLigar o enunciado a um caso, dado, material ou exemplo trabalhado na disciplina, em vez de um enunciado genérico.Bancos com conteúdo licenciado ou compartilhado.
Renovação do bancoSaber quais questões vêm de conteúdo licenciado ou compartilhado, trocar e variar itens a cada oferta.Bancos reaproveitados entre turmas, semestres ou instituições.
JustificativaPedir, junto com a alternativa, uma justificativa curta ou o passo que levou a ela, e corrigir uma amostra.Turmas em que a correção manual de parte das respostas é viável.
Itens de interpretaçãoPedir leitura de um gráfico, tabela ou situação apresentada na própria prova, em vez da recuperação de um fato.Quando o objetivo é aplicar o conteúdo. Não é barreira à IA: no Radar, 5,0% das solicitações levam imagem, 8,5% nas Engenharias.

Nenhuma dessas opções torna imune à IA uma prova sem supervisão. Uma combinação possível é separar o que certifica, com supervisão, do que é prática, que pode ser aberta. A regra escrita para cada caso entra na política da instituição; o guia de política de uso de IA traz modelos de cláusula para provas no AVA, trabalhos e TCC.

Perguntas para a coordenação

  1. Peso. Que parte da nota das disciplinas vem de questões objetivas respondidas sem supervisão no ambiente virtual?
  2. Origem do banco. As avaliações usam conteúdo licenciado ou compartilhado com outras instituições? Com que frequência as questões são renovadas?
  3. Regra visível. O enunciado de cada avaliação diz se o uso de IA é permitido?
  4. Avaliações com IA. Existe alguma atividade em que usar IA faz parte da tarefa, com critério de correção próprio?
  5. Acompanhamento. Depois de uma mudança, como a coordenação vai comparar notas de avaliações supervisionadas e não supervisionadas da mesma disciplina?

Fontes e escopo

Dados observados: Radar de IA no Ensino Superior, edição de outubro de 2026, capítulos 01, 02 e 04; período, base e limites na metodologia. Contexto externo, conforme citado no Radar: INEP, Censo da Educação Superior 2024; HEPI e Kortext, Student Generative AI Survey 2026. As opções de desenho são uma aplicação editorial desses dados; não foram testadas em instituições.

RADAR DE IA NO ENSINO SUPERIOR / PDF

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