Os números mais recentes
O INEP acompanha ano a ano cada turma de ingressantes no curso em que ela entrou e calcula quantos concluíram, quantos continuam matriculados e quantos desistiram. A turma mais recente com dez anos de acompanhamento é a de 2015.
| Recorte | Desistiu | Concluiu | Continua no curso |
|---|---|---|---|
| Brasil, todas as redes | 60% | 39% | 1% |
| Rede privada | 62% | 37% | 1% |
| Rede pública | 53% | 44% | 3% |
| Presencial | 59% | 40% | 1% |
| A distância (EAD) | 65% | 34% | 1% |
Fonte: INEP, Apresentação do Censo da Educação Superior 2024, slides 79 e 80 (indicadores de trajetória dos estudantes no curso de ingresso). Valores lidos dos rótulos dos gráficos oficiais.
O patamar se mantém: as seis turmas acompanhadas por dez anos, de 2010 a 2015, terminaram com desistência acumulada entre 58% e 60% (slide 77). Uma década de expansão do ensino superior, de crescimento do EAD e de programas de financiamento não mudou essa proporção de forma visível.
Na conta do Semesp, que mede a evasão de um ano para o outro, a rede privada perdeu 26,6% dos estudantes presenciais e 41,9% dos estudantes de EAD em 2024. O valor do EAD é o maior da série. Somando as redes pública e privada, os valores caem para 41,6% no EAD e 24,8% no presencial; vale conferir o recorte antes de repetir um desses números.
Quando o aluno desiste
A curva da turma de 2015 mostra onde está o volume: a desistência acumulada sobe rápido nos três primeiros anos e quase para depois do sexto.
Base: ingressantes de 2015 em cursos de graduação, todas as redes e modalidades, acompanhados no curso de ingresso até 2024. Do 7º ao 9º ano a curva vai de 58% a 60%. Fonte: INEP, Censo da Educação Superior 2024, slide 78.
Nossa leitura: 40 dos 60 pontos de desistência acontecem até o terceiro ano (cálculo da Studenta sobre os valores do INEP). Qualquer ação de permanência que comece depois do segundo ano chega tarde para a maior parte dos casos. A curva acima soma todas as redes; nas séries por rede e modalidade da mesma apresentação, a parcela até o terceiro ano fica perto de 68% na rede privada e de 72% no EAD.
Por que o INEP e o Semesp não batem
As duas fontes são confiáveis e medem coisas diferentes. Misturar os conceitos na mesma frase leva a comparações que não se sustentam.
| Indicador | Pergunta que responde | Valor de referência |
|---|---|---|
| Desistência acumulada no curso de ingresso (INEP) | De cada 100 que entraram em um curso, quantos saíram dele em dez anos? Conta como desistência trocar de curso ou de instituição. | 62% na rede privada (turma de 2015) |
| Saída do sistema de um ano para o outro (INEP) | De quem estava matriculado em um ano, quantos não estão em nenhuma instituição no ano seguinte? | 19,9% na rede privada; 24,1% no EAD (2023 para 2024) |
| Evasão anual (Semesp) | Quantos deixaram o curso de um ano para o outro, em relação aos que poderiam continuar? | 41,9% no EAD privado; 26,6% no presencial privado (2024) |
| Desistência acumulada no ciclo (Semesp) | Da turma que entrou em 2020, quantos desistiram até 2024? | 64,7% na rede privada; 68,1% no EAD privado |
Para comparar a sua instituição com o setor, escolha um indicador, calcule do mesmo jeito que a fonte e cite o conceito junto do número. A desistência acumulada do INEP é a mais exigente: ela trata como perda até o aluno que trocou de curso dentro da própria instituição.
EAD, rede privada e o novo marco
Segundo o Censo 2024 do INEP, a rede privada concentra 79,8% das matrículas de graduação e 95,9% das matrículas de EAD. O EAD já responde por 50,7% de todas as matrículas e por 66,8% dos ingressantes de 2024 (eram 23,4% em 2014). Por isso o número de evasão do EAD privado pesa tanto no resultado do setor.
O Decreto 12.456/2025, que dá às instituições até cerca de maio de 2027 para se adequar, muda as condições em que esse aluno estuda. Três pontos tocam diretamente a permanência:
- Prova presencial em toda unidade curricular a distância, com peso majoritário na nota e pelo menos um terço do peso em questões discursivas (art. 23).
- Atividades síncronas mediadas, com no máximo 70 estudantes por docente ou mediador pedagógico (art. 3º).
- Cursos que deixam de poder ser oferecidos a distância, como Direito, Medicina, Enfermagem, Odontologia e Psicologia (art. 8º), além de um formato semipresencial com carga presencial mínima (art. 11).
Hipótese ainda não medida: com prova presencial e discursiva, o estudante que não acompanhou o conteúdo entre os encontros tende a reprovar mais. Como a reprovação no início do curso costuma anteceder a desistência, vale acompanhar a reprovação nas primeiras provas presenciais como sinal de risco.
O que medir na sua instituição
Os números nacionais servem de referência; a decisão depende dos indicadores da própria instituição separados por curso, modalidade e turma de ingresso.
- Desistência acumulada por turma de ingresso, no mesmo conceito do INEP, ao fim do 1º, 2º e 3º ano
- Rematrícula do 1º para o 2º semestre, por curso e modalidade
- Motivo declarado no trancamento ou cancelamento, com categorias fixas (financeiro, acadêmico, mudança de curso, pessoal, trabalho)
- Reprovação nas disciplinas do primeiro ano com maior volume de alunos
- Inadimplência no primeiro semestre, cruzada com a rematrícula
- Quando os estudantes procuram ajuda e se há alguém para responder nesse horário
No assistente de estudo PasseIA, 37,3% das solicitações de estudantes de graduação e pós aconteceram entre 18h e 23h59; 24,0% aconteceram no fim de semana. Base: 7.727 estudantes e 61.700 solicitações, concentrados em grandes redes privadas; não representa os universitários do país. Ver o capítulo sobre horários.
Esse último indicador costuma faltar. A secretaria registra o cancelamento e o financeiro registra a inadimplência; a dúvida que ficou sem resposta numa noite de domingo raramente entra em algum registro.
O que fazer depois do diagnóstico.
O comparativo avalia bolsa e renegociação, régua de contato, predição de risco, acolhimento, monitoria, tutoria e IA de apoio ao estudo pela causa que cada caminho alcança e pela evidência disponível.
Perguntas frequentes
Qual é a taxa de evasão no ensino superior privado?
Depende do conceito. No indicador do INEP, 62% dos estudantes que entraram em um curso da rede privada em 2015 tinham desistido dele em 2024. No indicador anual do Semesp, a evasão em 2024 foi de 41,9% no EAD privado e de 26,6% no presencial privado.
Por que o INEP e o Semesp publicam números diferentes?
Porque medem coisas diferentes. O INEP acompanha uma turma por dez anos no curso de ingresso; o Semesp calcula quantos saem de um ano para o outro. Os dois são válidos e não devem ser comparados diretamente.
Em que ano do curso o aluno mais desiste?
No começo. Na turma de 2015, 13% desistiram no primeiro ano, 29% até o segundo e 40% até o terceiro, de um total de 60% em dez anos (INEP).
A evasão no EAD é maior que no presencial?
Sim, nos dois indicadores. Na turma de 2015, a desistência acumulada foi de 65% no EAD e 59% no presencial (INEP). Em 2024, a evasão anual no EAD privado foi de 41,9%, contra 26,6% no presencial privado (Semesp).
Trocar de curso conta como evasão?
No indicador de trajetória do INEP, sim: o estudante que troca de curso ou de instituição conta como desistente do curso de ingresso. Para medir quem sai do ensino superior, o INEP usa outro indicador, de saída do sistema, que foi de 19,9% na rede privada de 2023 para 2024.
Quais são as principais causas da evasão?
As pesquisas brasileiras apontam motivos financeiros, acadêmicos, de escolha de curso, de trabalho e pessoais, com pesos que variam por instituição e método. Não há um ranking nacional confiável. Por isso vale registrar o motivo declarado com categorias fixas e cruzar com reprovação e inadimplência.
Quando sai o próximo Censo da Educação Superior?
O INEP prevê divulgar o Censo 2025 até 30 de novembro de 2026. Este artigo será revisado com os novos dados.
Fontes e escopo
INEP, Apresentação do Censo da Educação Superior 2024, slides 74 a 80 (indicadores de fluxo e de trajetória). INEP, Notas Estatísticas do Censo da Educação Superior 2024 (cópia publicada pela ABMES). Semesp, Mapa do Ensino Superior no Brasil, 16ª edição. Decreto 12.456, de 19 de maio de 2025. Dado próprio: Radar de IA no Ensino Superior, edição de outubro de 2026. Todas as fontes externas foram consultadas em 22 de outubro de 2026. Os valores de trajetória e de fluxo do INEP foram lidos dos rótulos dos gráficos da apresentação oficial; os microdados por turma estão nos indicadores de trajetória publicados pelo INEP. A leitura e a hipótese marcadas no texto são da Studenta.